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uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscaro pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais;
devagar peça
maise mais
e mais
Ana C.
entendeu agora por que a folha é dura e chupa a tua tinta?
e cheia de mais e mais e mais e.
luana felicia | vega becker
Kawó-Kabiesilé Xangô
Xangô ou Shango orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.
Foi dia de projeções energéticas, magnéticas e vibratórias na linha de forças da justiça e da bipolaridade. Dia de necessária concentração nos pedidos ao orixá, tendo em mente as irradiações receptivas e ativas, sabendo que as forças são igualmente positivas e negativas. Foi dia de juntar as mãos em ato de receptividade energética, respeito à natureza e às outras divindades. Foi dia de exaltação e fogos e mais uma vez eu saúdo: Kawó-Kabiesilé Xangô! Kawó meu Pai!
Que tua força se faça atuante em minha vida.
Que assim seja!
Xangô tem direto sincretismo com São João Batista e ontem foi dia de festa, quentão, pipoca, vinho quente e muita fogueira.
Dia de transmutação pelo Fogo Sagrado, que destrói tudo o que é ruim, trazendo a nós tudo o que é possível de acordo o merecimento.
Que o sagrado nos abasteça com as suas forças e divindades.
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luana felicia | vega becker
círculos
Foram-se. Restou um alívio.
De dentro sinto cheiro, vejo as cores.
Absorvi-as(os).
A vida tem mesmo dessas coisas, cheia de surpresas.
Mas nada que tenha vindo de fora.
Foi de dentro mesmo.
Eu, eu, eu, eu, sem ela, sem ele, nem ninguém.
Agora é tempo de separar os desenhos, a prosa e a poesia, guardá-los no relicário e esperar que a vida dê o tempo certo para o desalinho. Agora é tempo de novas idéias, de uma abundância fervorosa. É tempo de ambição, números, estratégias, ações. Chegou, agora é tempo.
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde"
A Montanha Mágica - Legião
No caminho pensei em encontros de elevadores, diários e furtivos.
De soma de idades, de diferenças contrastantes, ela aos 20 e ele aos 40 e tantos. Seria possível?
Pensei em amores que nascem numa livraria.
Indaguei as possibilidades.
Intuí suavemente: "querida, tudo é possível, basta o passo".
Tenho umas histórias a contar, de gentes em cenários, amantes aos desvarios, revanches obscuros, entrelaces, jogos, erros e acertos.
Tenho muitos e complexos fragmentos do que proseio nesses caminhos por aí.
Hei de te contar.
Estive pensando também, sabe.
Que um dia, no meio dessas historietas supostamente inteligíveis, eu hei de te encontrar, beirando a vontade de me achar sem nem, sem quem, nem porquê.
Percebeu meu jeito circular?
Foi assim que eu comecei: dentro de mim.
Rodei, rodei.
E parei aqui, às vistas de você.
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luana felicia | vega becker
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do irremediável
como existem os momentos anteriores
de passar adiante
em silêncio
tentando tirar o espinho da carne
há o momento
em que o irremediável
se torna tangível
C.F.A
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luana felicia | vega becker
conjugado
eu simplesmente queria, como quero, sem a vergonha dos entalhes e das folhas quase úmidas: dizer.
em segredo me recato á poesia vacilante e impassível.
eu simplesmente diria:
se você fosse me colher hoje logo cedo, me sentiria orvalhada demais pela noite, que foi minha amiga intrépida a contar-me cada farol que a iluminou, fazendo-a envergonhar-se na nudez do asfalto.
minha noite foi prolixa, mas isso é assunto para horas longas, amanhecidas e despreocupadas.
e eu, que já fui rosa, me peguei avermelhada, cheia de tons ocres a dizer-te.
parei o verbo.
queria, como quero.
pular a vez e me colocar a frente dos acontecimentos sem desajeitar-me e nem produzir sons estranhos com a boca, movimentos bruscos e perdidos com as mãos, olhos procurando algo para fixarem-se disfarçadamente.
os tímidos são assim mesmo.
queria, como quero, descrever-me como sou.
fui trincada.
copo de vidro meio lascado, charmoso de tão marcado, o preferido.
guardo líquidos, acolho lábios, sinto dentes a roçar-me, tenho as bordas salivadas ou marcadas de batom, sou tão frágil.
guardo todas as sensações.
tão quentes.
tão frias.
produzo o esquecimento das vias e da nudez e reverencio a curiosidade e delicadeza dos primeiros raios de sol.
porque agora penso segredos e tudo já é contido dentro do copo.
mudo de assunto.
é demasiado invadir-te e perguntar se posso?
imagino se a boca, as mãos e os olhos, todos tímidos, pudessem apre[e]nder-te.
carrego no corpo o paradoxo sustentado de erotismo e santidade.
queria, como quero foder-te.
me escapou assim, sem querer.
a poesia salva até o foder-te, que se encaixa rimado no viés do apre[e]nder.
conjugo o desejo.
como queria, como quero não precisar dizer mais nada além de fragmentos noturnos e surreais.
deixar sem roteiro a noite, o orvalho, o dia, a curiosidade, o paradoxo e a saudade.
deixar solto, conjugar errado, escrever na água.
deixar sem ponto, sem sentido, sem final
: poder-te.
luana felicia | vega becker
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onde encontrar quem colha
duas palavras numa rima
igual a essa que pulsa em ti
como um sinal?
Rilke
.
luana felicia | vega becker
play a song to set me free
(...)
..
"E além do que se vê e se ouve e além do que se sente, quem poderia ter pensado em..."
..
* ouça Ai de Rubi, exatamente aos 01:50' minutos:
"Eu te amo" - disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas
Não havia de sofrer tanto
O mundo pesa sobre o amor
Leveza dá pena no espaço
E se teu amor por mais pedra não voar:
Liberta tuas costas do peso que não carregas.
E se teu amor por mais pena não mergulhar:
Vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.
Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas:
Degela-o e deixa-o beber os deltas.
[ ai ]
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luana felicia | vega becker
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Da vida apanhamos mistérios, frutos verdes, copos vazios, sacos furados, malas sem alça e outro bocado de surpresas e dificuldades que nos vêm e que deveríamos compreender, tatear cuidadosamente antes de apanhá-las.
Pois bem...
Eu quero explicar que ando me cortando ao meio novamente, mas já não dói.
To me livrando aos poucos de velhos conceitos, velhos amores, resquícios doentios, formas pensamento, hábitos infundados, medos, etc.
To criando coragem para mudar o compasso, numa lentidão quase tântrica, mas já fui acolhida, recebendo ajuda do mais alto.
Eu vou vencer!
Sim...
Agora eu sou reikiana e o quanto essa prática tem me elucidado é inexplicável.
Vai além da simplicidade vinculada aos ensinamentos. Rica e curadora, essa energia universal, da terra e do cosmo, me renova a cada prática. Agradeço a chance de ter sido iniciada. Tenho ajudado a mim, a alguns amigos, familiares e pretendo ajudar da melhor forma a todos que vão em busca de cura física e espiritual no centro onde presto trabalho voluntário.
Esses dias...
Eu voei pela primeira vez, visitei a terra natal, tomei banho de chuva, senti tristeza por estar lá e ver todos tão tristes, cheios daquele olhar evasivo, solitário, interiorizado. Queria lutar por eles e mostrar como a vida pode ser bonita. Quando parti foi um adeus meio rouco, a boca querendo dizer, o coração querendo acolher e os braços repletos de peso. Um dia volto, quem sabe.
E foi assim, está sendo, será, seremos...
Felizes a todo tempo ou a qualquer momento...
A gente espera, somos predispostos.
Desculpe se pareço repetitiva, melancólica ou se você não tá entendendo nada, mas é que às vezes me dá vontade de arrancar os meus sussurros tolos e desmedidos e os gritos loucos ou contidos que geralmente calham em dias de tpm e em momentos de solidão, bebidinha e musiquinha boa.
E é só...
Um suspiro...
Hoje não tem poesia.
.
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luana felicia | vega becker
incontável
.
Pablo Neruda
.
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luana felicia | vega becker
'se viver fosse reisado'
;*
Carinho e calor pra mim'
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luana felicia | vega becker
foi-se
.
é a tal da porra da feridantiga.
luana felicia | vega becker
tudo mentira
. acabou .
num extase, sem voz, diferente.
agora tudo é vastidão.
posso estender as mãos e agarrar estrelas recém nascidas.
a pura ficção.
depois um branco.
me ceguei dentre tuas mentiras, odeio-as, ficcional você.
me reprimi na decepção, rasguei-as por dentro.
agora a vastidão.
campo verde, caminho de terra, uma ponte, outro lado, atravesso, sou feliz entre as entrelas.
adeus-te pra sempre.
. the end .
luana felicia | vega becker
asduas
luana felicia | vega becker
n'alma
a arte está contida na alma
daqueles que a condensam,
que a transformam,
que a elucidam e
tornam-na real
aos olhos alheios.
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luana felicia | vega becker
quase-tudo
quase-tudo,
que por frações de tempo ela
quase-existe.
é questão de saber amarrá-la
aos cadarços de nossas andanças
na hora em que ela
quase-nasce.
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luana felicia | vega becker
invenção

luana felicia | vega becker
morcegos
.
luana felicia | vega becker
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