ever and ever

.

i
wanna
bit
this
lab
forever


and
ever

and
.
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.
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+


devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro
olhar
sobre o galope molhado
dos animais;
devagar peça
Negritomais
e mais
e mais

Ana C.


entendeu agora por que a folha é dura e chupa a tua tinta?


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Ana Cristina Cesar é assim, vermelha mesmo
e cheia de mais e mais e mais e.

Kawó-Kabiesilé Xangô

Ontem (24.06) foi dia dele e como sou espiritualista e acredito em Deus e "personifico" seu poder nas forças da Natureza, exalto e saúdo Xangô.

Xangô ou Shango orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.

Foi dia de projeções energéticas, magnéticas e vibratórias na linha de forças da justiça e da bipolaridade. Dia de necessária concentração nos pedidos ao orixá, tendo em mente as irradiações receptivas e ativas, sabendo que as forças são igualmente positivas e negativas. Foi dia de juntar as mãos em ato de receptividade energética, respeito à natureza e às outras divindades. Foi dia de exaltação e fogos e mais uma vez eu saúdo: Kawó-Kabiesilé Xangô! Kawó meu Pai!
Que tua força se faça atuante em minha vida.
Que assim seja!

Xangô tem direto sincretismo com São João Batista e ontem foi dia de festa, quentão, pipoca, vinho quente e muita fogueira.

Dia de transmutação pelo Fogo Sagrado, que destrói tudo o que é ruim, trazendo a nós tudo o que é possível de acordo o merecimento.

Que o sagrado nos abasteça com as suas forças e divindades.


Que assim seja!


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círculos

"Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores." Rilke



Vinha há muito tempo carregada a passos lentos, de olhar encontrando outro em relances cheios de mágoas e dúvidas recíprocas e infantis. Até que, num dia desses, desisti. Coloquei tudo o que massacrava o pensamento, que me deixava escorregadia e trôpega, dentro de um saco e abandonei ao tempo passado, incinerei as memórias intocáveis.

Foram-se. Restou um alívio.

De dentro sinto cheiro, vejo as cores.
Absorvi-as(os).
A vida tem mesmo dessas coisas, cheia de surpresas.
Mas nada que tenha vindo de fora.
Foi de dentro mesmo.
Eu, eu, eu, eu, sem ela, sem ele, nem ninguém.

Agora é tempo de separar os desenhos, a prosa e a poesia, guardá-los no relicário e esperar que a vida dê o tempo certo para o desalinho. Agora é tempo de novas idéias, de uma abundância fervorosa. É tempo de ambição, números, estratégias, ações. Chegou, agora é tempo.


"Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde"
A Montanha Mágica - Legião


Hoje cedo só consegui pensar poesia.
No caminho pensei em encontros de elevadores, diários e furtivos.
De soma de idades, de diferenças contrastantes, ela aos 20 e ele aos 40 e tantos. Seria possível?
Pensei em amores que nascem numa livraria.
Indaguei as possibilidades.
Intuí suavemente: "querida, tudo é possível, basta o passo".


Tenho umas histórias a contar, de gentes em cenários, amantes aos desvarios, revanches obscuros, entrelaces, jogos, erros e acertos.

Tenho muitos e complexos fragmentos do que proseio nesses caminhos por aí.

Hei de te contar.

Estive pensando também, sabe.

Que um dia, no meio dessas historietas supostamente inteligíveis, eu hei de te encontrar, beirando a vontade de me achar sem nem, sem quem, nem porquê.


Percebeu meu jeito circular?
Foi assim que eu comecei: dentro de mim.

Rodei, rodei.

E parei aqui, às vistas de você.



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.

.

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porque há o momento
do irremediável
como existem os momentos anteriores
de passar adiante
em silêncio
tentando tirar o espinho da carne
há o momento
em que o irremediável
se torna tangível

C.F.A




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conjugado

há tantas coisas que me movem hoje...
eu simplesmente queria, como quero, sem a vergonha dos entalhes e das folhas quase úmidas: dizer.
em segredo me recato á poesia vacilante e impassível.
eu simplesmente diria:
se você fosse me colher hoje logo cedo, me sentiria orvalhada demais pela noite, que foi minha amiga intrépida a contar-me cada farol que a iluminou, fazendo-a envergonhar-se na nudez do asfalto.
minha noite foi prolixa, mas isso é assunto para horas longas, amanhecidas e despreocupadas.
e eu, que já fui rosa, me peguei avermelhada, cheia de tons ocres a dizer-te.
parei o verbo.
queria, como quero.
pular a vez e me colocar a frente dos acontecimentos sem desajeitar-me e nem produzir sons estranhos com a boca, movimentos bruscos e perdidos com as mãos, olhos procurando algo para fixarem-se disfarçadamente.
os tímidos são assim mesmo.
queria, como quero, descrever-me como sou.
fui trincada.
copo de vidro meio lascado, charmoso de tão marcado, o preferido.
guardo líquidos, acolho lábios, sinto dentes a roçar-me, tenho as bordas salivadas ou marcadas de batom, sou tão frágil.
guardo todas as sensações.
tão quentes.
tão frias.
produzo o esquecimento das vias e da nudez e reverencio a curiosidade e delicadeza dos primeiros raios de sol.
porque agora penso segredos e tudo já é contido dentro do copo.
mudo de assunto.
é demasiado invadir-te e perguntar se posso?
imagino se a boca, as mãos e os olhos, todos tímidos, pudessem apre[e]nder-te.
carrego no corpo o paradoxo sustentado de erotismo e santidade.
queria, como quero foder-te.
me escapou assim, sem querer.
a poesia salva até o foder-te, que se encaixa rimado no viés do apre[e]nder.
conjugo o desejo.
como queria, como quero não precisar dizer mais nada além de fragmentos noturnos e surreais.
deixar sem roteiro a noite, o orvalho, o dia, a curiosidade, o paradoxo e a saudade.
deixar solto, conjugar errado, escrever na água.
deixar sem ponto, sem sentido, sem final



: poder-te.

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Mágico ser:
onde encontrar quem colha

duas palavras numa rima
igual
a essa que pulsa em ti
como um sinal?


Rilke




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play a song to set me free

(...)






..

"E além do que se vê e se ouve e além do que se sente, quem poderia ter pensado em..."


..



* ouça Ai de Rubi, exatamente aos 01:50' minutos:

"Eu te amo" - disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas
Não havia de sofrer tanto

O mundo pesa sobre o amor
Leveza dá pena no espaço

E se teu amor por mais pedra não voar:
Liberta tuas costas do peso que não carregas.

E se teu amor por mais pena não mergulhar:
Vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.

Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas:
Degela-o e deixa-o beber os deltas.

[ ai ]

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movimento

ir






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Nem todo silêncio é desastroso e nem toda forma de afastamento é negligência.

...

Da vida apanhamos mistérios, frutos verdes, copos vazios, sacos furados, malas sem alça e outro bocado de surpresas e dificuldades que nos vêm e que deveríamos compreender, tatear cuidadosamente antes de apanhá-las.

Pois bem...

Eu quero explicar que ando me cortando ao meio novamente, mas já não dói.
To me livrando aos poucos de velhos conceitos, velhos amores, resquícios doentios, formas pensamento, hábitos infundados, medos, etc.
To criando coragem para mudar o compasso, numa lentidão quase tântrica, mas já fui acolhida, recebendo ajuda do mais alto.
Eu vou vencer!

Sim...

Agora eu sou reikiana e o quanto essa prática tem me elucidado é inexplicável.
Vai além da simplicidade vinculada aos ensinamentos. Rica e curadora, essa energia universal, da terra e do cosmo, me renova a cada prática. Agradeço a chance de ter sido iniciada. Tenho ajudado a mim, a alguns amigos, familiares e pretendo ajudar da melhor forma a todos que vão em busca de cura física e espiritual no centro onde presto trabalho voluntário.

Esses dias...

Eu voei pela primeira vez, visitei a terra natal, tomei banho de chuva, senti tristeza por estar lá e ver todos tão tristes, cheios daquele olhar evasivo, solitário, interiorizado. Queria lutar por eles e mostrar como a vida pode ser bonita. Quando parti foi um adeus meio rouco, a boca querendo dizer, o coração querendo acolher e os braços repletos de peso. Um dia volto, quem sabe.

E foi assim, está sendo, será, seremos...
Felizes a todo tempo ou a qualquer momento...


A gente espera, somos predispostos.


Desculpe se pareço repetitiva, melancólica ou se você não tá entendendo nada, mas é que às vezes me dá vontade de arrancar os meus sussurros tolos e desmedidos e os gritos loucos ou contidos que geralmente calham em dias de tpm e em momentos de solidão, bebidinha e musiquinha boa.


E é só...
Um suspiro...
Hoje não tem poesia.



I'm safe up high, nothing can touch me


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incontável

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quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre uvas cor de sangue tornou a pedra lisa encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornicópia feita de infinita madrepérola.

Pablo Neruda

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c.alminha

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c.alma minh'alma.

'se viver fosse reisado'

;*




'Dindinha, dê dinheiro
Carinho e calor pra mim'

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foi-se

aqui dentro jaz uma menina-moça. Aqui agora mora meu eterno ego centro, cítrico, centrif u g a d o. Aqui jaz uma morada de barro. Revivem em mim gotas de orvalho, pingos de tuas lágrimas doces, espalhadas, serenas. Dói aqui o amor que sinto. Dói pela existência, dói a simplicidade. Dói de amor eterno. Dói os outros, o medo, o pavor. Dói o gozo de outrora e a lembrança de nossas horas. aqui jaz uma dor latente. Aqui agora mora meu eterno riso de menina. Aqui jaz barro molhado. Revivem em mim suores do meu cômodo trabalho. Doeu aqui o passado relutante. Doeu pela demente lentidão, doeu a cast.idade. Doeu de escuro e de frio. Doeram meus deuses, as roupagens, os atributos. Doeu demais. E agora eu apenas... Sinto.


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é a tal da porra da feridantiga.

tudo mentira

nada me corrompe... a não ser seus lábios, o momento, o toque, cada amor, cada fogo, cada ardor, as fissuras, os sussurros, o cheiro de deus e de gente, a pegada, a música, o eterno, os suores, as peles, as pernas, os gritos, o silêncio.


. acabou .

num extase, sem voz, diferente.



agora tudo é vastidão.
posso estender as mãos e agarrar estrelas recém nascidas.



a pura ficção.
depois um branco.
me ceguei dentre tuas mentiras, odeio-as, ficcional você.
me reprimi na decepção, rasguei-as por dentro.
agora a vastidão.
campo verde, caminho de terra, uma ponte, outro lado, atravesso, sou feliz entre as entrelas.
adeus-te pra sempre.


. the end .

asduas

(...) ... e de repente fez-se um vento tão forte que ela não sabia onde colocar os pés. segurou-se nas mãos fortes e tímidas de um amor perfeito. conheceu, ali naquela ventania, o ritmo da vida e seguiu de braços dados com sua magia. trocaram versos calados enquanto a vida acontecia plena e intensa [lá fora]. calaram-se ocas para dar ao exato momento o silêncio bem vindo e se amaram tão fortemente que aquele dia já não cabia mais em suas datas. e foi quando juraram amor, amizade, sinceridade, paz, união e lágrimas. talvez hoje elas tenham amadurecido demais para a pequena idade ou talvez agora sejam meninas-mulheres felizes, cheias de horas, mimos e planos... mas nada há de endurecer algo que escorre entre os lábios, nada há de censurar um amor assim, suave e sublime... e a poesia que antes era presa na noite e sozinha hoje resvala-se colorida e verdadeiramente sagaz... (...)




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* ilustração: kukula

n'alma

a arte está contida na alma
daqueles que a condensam,
que a transformam,
que a elucidam e
tornam-na real
aos olhos alheios.

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quase-tudo

e a felicidade é um
quase-tudo,
que por frações de tempo ela
quase-existe.
é questão de saber amarrá-la
aos cadarços de nossas andanças
na hora em que ela
quase-nasce.



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invenção

hoje eu tocarei para você aquela nossa lira, farei do nosso tempo um soar cativo e enrijecido de formas e cores. Talvez não atue como esperado, como eu espero fazer. Terei a chance de rimar meus sonhos com a fantasia que me apavora. Aqui embaixo mora uma vergonha serena e imatura, mas por meus sonhos faço volúpia dos pensamentos castos e mitificados. Ponha aquela música, desfaça sua gravata, abra seus botões, todos eles e me espere. Já venho, só mais um momento e já estarei aqui. Agora pode abrir os olhos, sinto tanta vergonha de você que pareço amadora. Não me toque, me olhe, dance comigo. Quer ver? Chegue mais perto, devagar, a canção é longa meu amor. Você está tão linda hoje, já te disse? Disse que te amo? Hoje a canção será eterna. Meus pensamentos estão vagos, murmurados, pequenos para a tal liberdade, você os ouve? Recorro agora ao sumo de luz que escoa por seus lábios. Te sinto, agora eu te sinto voar. Seus olhos brilham tanto, o que vê? Me explica o que sente? Meu desejo te segue, sinto saudades, mas não me toque, apenas olhe e me invente.


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* ilustração: sol.

morcegos

mesmo olhando-se vezenquando nos olhos há anos empapuçados de álcool e drogas, não se atreviam a verbalizar morcegos. Ou não é que não se atrevessem: os morcegos talvez fossem incomunicáveis, pois em não sendo verbalizados, e portanto compartilhados, cada um suspeitava que fossem estritamente pessoais & intransferíveis, compreende? O que quero finalmente dizer é que não verbalizando os morcegos, os morcegos não existiam, passando a ser o que não era: uma metáfora de si mesmos.

Caio Fernando Abreu



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